quarta-feira, 23 de maio de 2012

Seja amoroso e tenha filhos amorosos - Postagem Coletiva


Quando engravidei pela primeira vez, há 10 anos, eu só pensava em preparar-me para ser uma boa mãe e, para isso, busquei o máximo de informações que podia. Comprei inúmeros livros que ensinavam mães de primeira viagem a serem boas mães e a premissa de quase todos eles era: não mimar os bebês! As mães deveriam ter total controle sobre os bebês senão correriam o risco de “estragá-los”. Para isso deveria haver rotinas rígidas, horário para as mamadas, o bebê deveria dormir em seu berço, nada de pegar no colo no primeiro choro. Tudo isso fazia sentido para mim, antes de ter meu filho nos braços. 

Só que, assim que eu peguei aquele pequeno ser pela primeira vez, tudo mudou. Eu até tentei seguir algumas regras como amamentar a cada 3 horas e isso fez com que meu filho perdesse peso ao ponto da pediatra indicar leite artificial. Eu levantava a noite toda na tentativa de fazer meu pequeno dormir em seu berço. Sentia-me cansada e frustrada. Mas, felizmente, eu não estava só. Eu fazia parte de uma lista de discussão na qual encontrei mulheres que já tinham passado ou estavam passando pela mesma experiência que eu e estávamos nos encorajando. Pela primeira vez ouvi a palavra “livre demanda”, vi que não era apenas eu que desejava dormir com meu bebê próximo a mim. Finalmente, percebi que eu estava lendo os livros errados, pois nada daquilo estava me ajudando. Então, passei a seguir os meus instintos. Somos mamíferas! – repetíamos. 

Sim, eu era uma mamífera e decidi que faria aquilo que meu coração mandava. Decidi que meu filho seria aninhado e amamentado sempre que quisesse. Decidi que ele ficaria perto para sentir-se seguro. E, a partir daí, senti-me livre. Pude vivenciar plenamente a maternidade, tudo ficou tão mais fácil, tão mais claro. Com meu filho na cama pude amamentá-lo durante a noite enquanto eu descansava, ele não acordava e eu também não. Comprei um sling e estava livre para as atividades diárias e meu filho participava da minha vida. Comprei outros livros, pesquisei, pesquisei e descobri que o que eu fazia chamava “Attachment parenting” (Criação pelo apego) e que tinha muito embasamento científico.

Meu primeiro filho foi amamentado até os 2 anos, parou sozinho, quando eu estava grávida do meu segundo filho. Com este tudo foi mais fácil, eu já conhecia o caminho. Quando minha 3ª filha nasceu, em muitas ocasiões, fazia uma fila para mamar. Mamava a bebê, mamavam os mais velhos. Depois de 6 anos de peitos para fora, de doação, de esforço (sim, porque tem seus dias de cansaço, tem os dias que estamos exaustas e sem paciência, tem os dias que não estamos a fim de ficar nuas na frente de todos – porque várias vezes meus filhos quiseram peito em situações que eu não estava confortável) eu decidi que estava bom. Minha filha já estava com 2 anos e meio e eu estava cansada. E decidi que a amamentação terminaria ali. Claro que ela protestou, mas eu estava com a sensação de dever cumprido, dali em diante sabia que poderíamos prosseguir sem peito.

Meus filhos são crianças saudáveis, independentes, confiantes. Cada qual já dorme em seu próprio quarto e sabem que podem correr para nossa cama sempre que precisarem de conforto. Isso acontece cada vez menos, e dá uma saudade... Saudade dos tempos em que só queriam a mamãe, que podia carregá-los no colo e acariciar seus cabelos enquanto mamavam. Passa rápido, tão rápido. Valeu a pena!


*Pedro Gabriel está com 9 anos, João Felipe, 7 e Ana Cecília, 4.