Quando engravidei pela primeira vez, há 10 anos, eu só
pensava em preparar-me para ser uma boa mãe e, para isso, busquei o máximo de
informações que podia. Comprei inúmeros livros que ensinavam mães de primeira
viagem a serem boas mães e a premissa de quase todos eles era: não mimar os
bebês! As mães deveriam ter total controle sobre os bebês senão correriam o
risco de “estragá-los”. Para isso deveria haver rotinas rígidas, horário para
as mamadas, o bebê deveria dormir em seu berço, nada de pegar no colo no
primeiro choro. Tudo isso fazia sentido para mim, antes de ter meu filho nos
braços.
Só que, assim que eu peguei aquele pequeno ser pela primeira vez, tudo
mudou. Eu até tentei seguir algumas regras como amamentar a cada 3 horas e isso
fez com que meu filho perdesse peso ao ponto da pediatra indicar leite
artificial. Eu levantava a noite toda na tentativa de fazer meu pequeno dormir
em seu berço. Sentia-me cansada e frustrada. Mas, felizmente, eu não estava só.
Eu fazia parte de uma lista de discussão na qual encontrei mulheres que já
tinham passado ou estavam passando pela mesma experiência que eu e estávamos
nos encorajando. Pela primeira vez ouvi a palavra “livre demanda”, vi que não
era apenas eu que desejava dormir com meu bebê próximo a mim. Finalmente,
percebi que eu estava lendo os livros errados, pois nada daquilo estava me
ajudando. Então, passei a seguir os meus instintos. Somos mamíferas! –
repetíamos.
Sim, eu era uma mamífera e decidi que faria aquilo que meu coração
mandava. Decidi que meu filho seria aninhado e amamentado sempre que quisesse.
Decidi que ele ficaria perto para sentir-se seguro. E, a partir daí, senti-me
livre. Pude vivenciar plenamente a maternidade, tudo ficou tão mais fácil, tão
mais claro. Com meu filho na cama pude amamentá-lo durante a noite enquanto eu
descansava, ele não acordava e eu também não. Comprei um sling e estava livre
para as atividades diárias e meu filho participava da minha vida. Comprei
outros livros, pesquisei, pesquisei e descobri que o que eu fazia chamava “Attachment parenting” (Criação pelo apego) e que tinha
muito embasamento científico.
Meu
primeiro filho foi amamentado até os 2 anos, parou sozinho, quando eu estava
grávida do meu segundo filho. Com este tudo foi mais fácil, eu já conhecia o
caminho. Quando minha 3ª filha nasceu, em muitas ocasiões, fazia uma fila para
mamar. Mamava a bebê, mamavam os mais velhos. Depois de 6 anos de peitos para
fora, de doação, de esforço (sim, porque tem seus dias de cansaço, tem os dias
que estamos exaustas e sem paciência, tem os dias que não estamos a fim de ficar
nuas na frente de todos – porque várias vezes meus filhos quiseram peito em
situações que eu não estava confortável) eu decidi que estava bom. Minha filha
já estava com 2 anos e meio e eu estava cansada. E decidi que a amamentação
terminaria ali. Claro que ela protestou, mas eu estava com a sensação de dever
cumprido, dali em diante sabia que poderíamos prosseguir sem peito.
Meus
filhos são crianças saudáveis, independentes, confiantes. Cada qual já dorme em
seu próprio quarto e sabem que podem correr para nossa cama sempre que
precisarem de conforto. Isso acontece cada vez menos, e dá uma saudade...
Saudade dos tempos em que só queriam a mamãe, que podia carregá-los no colo e
acariciar seus cabelos enquanto mamavam. Passa rápido, tão rápido. Valeu a
pena!
*Pedro Gabriel está com 9 anos, João Felipe, 7 e Ana Cecília, 4.
*Pedro Gabriel está com 9 anos, João Felipe, 7 e Ana Cecília, 4.



