sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Deixem minha culpa em paz!

"um homem com uma dor 
é muito mais elegante 
caminha assim de lado 
como se chegasse atrasado 
andasse mais adiante 
carrega o peso da dor 
como se portasse medalhas 
uma coroa um milhão de dólares 
ou coisa que os valha 
ópios édens analgésicos 
não me toquem nessa dor 
ela é tudo que me sobra 
sofrer, vai ser minha última obra"
                             (Paulo Leminski)

A revista Pais e Filhos, uma das principais e mais antigas revistas sobre parentalidade no Brasil, lançou, recentemente, uma campanha chamada Culpa não! Excelente estratégia de marketing para convencer mães a consumirem, sem culpa, a grande variedade de produtos industrializados divulgados em sua página pelos seus anunciantes. Além disso, como forma de divulgar tal campanha, ainda dão espaço para matérias duvidosas, como a tal Papinha Sim, a qual o Movimento Infância Livre de Consumismo já se manifestou aqui e aqui.

Todos nós sempre repetimos a exaustão que "mãe e culpa andam lado a lado". Aí eu pergunto: e qual o problema de sentir-se culpada? Sentir-se culpada, a meu ver, é o que nos faz responsáveis. A culpa é aquela voz interna da consciência que, tal qual o grilo falante, grita dentro de nós: - Isso está errado! É o superego em ação.

A culpa é a minha aliada, eu me sinto culpada quando deixo as crianças comerem porcarias, quando dou um gritos a mais, quando tenho uma atitude que minha culpa diz ser mais violenta, quando acho que não estudei com eles o suficiente, quando acho que deveria ter colocado aquela roupa mais quente e por isso os pequenos ficaram resfriados, quando cedi à tentação de dar uma papinha pronta, quando deixei eles assistindo mais tv do que gostaria porque estava ocupada com outras coisas, quando eles se machucaram e eu achava que deveria ter ficado mais atenta... A culpa é o que me faz buscar novas alternativas, é o que me faz querer melhorar.


Sentir-se culpada não significa ficar se martirizando, se autoflagelando. Significa saber que poderia ter sido melhor e desejar melhorar.

Eu não quero que tirem de mim uma responsabilidade que é minha. Eu quero ser responsável pelas minhas escolhas e me sentir culpada quando perceber que errei. Não quero transferir para ninguém isso, nem para pediatras, nem para obstetras, nem para professores, nem para revistas que insistem em fazer com que as mulheres não pensem. É muito mais simples livrar-se da culpa e achar outros culpados. Mas eu não quero isso, nem para mim, nem para meus filhos.

Por isso, revista Pais e Filhos, dispenso sua campanha, deixe-me em paz com minha culpa! 


sábado, 18 de agosto de 2012

Blogagem Coletiva: Por que eu sou uma ativista da amamentação

Recebi esse convite para blogagem coletiva e fiquei pensando sobre o que escrever. Afinal, como ativista da amamentação já falei sobre assunto diversas vezes. Já falei sobre amamentação e attachment parenting, sobre desmame, sobre minha história de 6 anos amamentando...
Percebi que em todos esses textos eu falei única e exclusivamente da minha experiência pessoal que só foi satisfatória porque tive muito apoio de minhas amigas ativistas da amamentação e, por isso mesmo, eu também me tornei uma ativista, porque sabia o quanto são importantes essas ajudas, as palavras de apoio, o incentivo, a troca de informações, as dicas e, principalmente, o ombro amigo quando nossa vontade é desistir de tudo porque, definitivamente, amamentação não é moleza.

Então resolvi escrever esse texto para todas as mulheres que ainda não amamentam ou estão iniciando a amamentação, para aquelas que têm dúvidas, para aquelas que estão cansadas, doloridas, desencorajadas, CONTINUEM, confiem em vocês, confiem nos bebês, confiem nos seus peitos. TUDO acaba bem se vocês tiverem persistência, carinho, apoio e, principalmente, paciência.


Há muita campanha a favor da amamentação, muito se fala sobre o ato de amor e dedicação que é uma mulher amamentar seu bebê, quando estamos grávidas idealizamos que a amamentação será linda, que o bebê nascerá, virá até o peito, o leite descerá e c'est finit. Mas não é assim na grande maioria das vezes, há o lado B da história.

Após o parto, muitas vezes, o bebê não é colocado no peito assim que nasce, levam o bebê para ser medido, pesado, lavado, esfregado etc etc, nessa, a gente já perdeu o primeiro momento de ligação, porque o bebê nasce com o reflexo de sucção super bom, mas depois de um tempo ele vai entrar num estado de letargia, ou seja, tem que começar tudo do começo.

Muitos hospitais costumam dar complemento no berçário, quer dizer, ele estará de barriga cheia e óbvio que não irá querer pegar o peito. Se o bebê não for para o peito, tudo demora mais, demora mais para sair colostro, demora mais para descer o leite. E tem mais uma coisa, o leite mesmo, demora uns 3 dias ou mais para descer, aquela aguinha que sai do peito chama-se colostro, é um antibiótico natural importantíssimo para o bebê, não vem numa baita quantidade, mas é o suficiente para o recém-nascido. Tem mulher que fica apavorada e acha que tem pouco leite lá vai o bebezinho tomar complemento!!!

Então, lá estamos nós, cansadas do parto, tentando encontrar uma maneira de dar de mamar, meio sem jeito, meio com medo e começam a chegar as visitas. O mais interessante é que cada um que chega dá uma opinião diferente, tem até os inconvenientes que mandam você colocar o bebê para mamar para eles assistirem. Teve uma visita que chegou a pegar no meu peito e tentar enfiar na boca do meu filho. Oi??? Como uma pessoa vai conseguir amamentar se não consegue sequer ter paz? Conselho: bota marido, amiga, de leão de chácara, alguém que tenha cara de pau suficiente para falar para as visitas que você está descansando e que não será incomodada. Melhor, avisa as visitas para aparecerem só depois de 15 dias.

Então, finalmente desce o tão aguardado leite. Minha amiga, já ouviu falar de Cicciolina? Fafá de Belém? Pois é. Desce duma vez. Peito fica gigante, bicos duros e a gente lá, sem saber o que fazer. A solução é: ordenha. É claro que no inicio não se sabe fazer, por isso é legal usar bombinha elétrica ou, melhor ainda, ir até um banco de leite, lá eles tirarão o excesso de leite e ainda ensinarão a fazer a ordenha manual.


Outra dica importante: peito não pode ficar machucado. Se o peito estiver machucando, se estiver doendo, é sinal que a pega do bebê está errada. Isso mesmo, precisa observar se a boca do bebê está como a de um peixe, lábio superior para cima, lábio inferior para baixo e abocanhando todo o aovéolo. A imagem abaixo mostra o modo certo.

Bom, desceu o leite, a pega está certa, as visitas já foram embora... agora vai! Depende, ainda esqueci de contar a parte que o bebê chora. Mas já tá tudo esquematizado, a cadeira de amamentação foi comprada, o quartinho tem luzinha que imita o mar, programou o celular para tocar a cada 3 horas para amamentar e o bebê ainda chora. Os pitaqueiros de plantão irão dizer que é cólica, que é fome, que é frio, calor e, claro, que seu leite é fraco.

Imaginem a seguinte situação, você fica durante nove meses num lugar agradável, quentinho, sentido o gosto da mãe o tempo todo, sentindo o movimento do corpo dela e sendo alimentado constantemente via cordão umbilical. De repente, você sai desse lugar, não tem mais balancinho frequente, não é mais alimentado constantemente, não está mais sentindo cheiro/gosto da mãe, o que você faria? Choraria muito, né não?

Quer ter bebê calminho, feliz e bem alimentado? Livre demanda é a solução. Dê peito sempre que o bebê pedir, é a ligação dele com você.

Tá bom, você me responde, e que horas eu durmo? Que horas como? Que horas vou ao banheiro? Eu só posso responder que, nesses momentos iniciais após o parto, você precisa de ajuda. Pode ser o marido, a companheira, a amiga, a mãe, a vizinha. Alguém precisa cuidar do resto para você poder descansar para produzir leite e amamentar. Não dá para ficar no "normal" depois de noites sem dormir, sem poder descansar a sensação é de total desespero, vontade de desistir, sair correndo. Ajuda é fundamental.

Depois de um tempo, tudo se encaixa. A amamentação fluirá naturalmente, a vida seguirá seu curso natural e mãe e bebê já estarão totalmente entrosados. Quando menos esperar estará fazendo suas atividades normalmente com bebê no peito. Mas, até lá, conte com a ajuda e o apoio de todas as ativistas da amamentação.

terça-feira, 3 de julho de 2012

LAURA GUTMAN NO BRASIL - EU VOU!


Pela primeira vez no Brasil, Laura Gutman estará em Florianópolis dia 01/09 e em São Paulo dia 02/09 para o seminário "O poder do discurso materno".

É autora de livros como "A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra", "Crianza, violencias invisibles y adicciones" e "La revolución de las madres", que exploram o universo da maternidade, os vínculos familiares e as dinâmicas violentas aos quais os seres humanos estão submetidos.
Desde 1996, formou mais de 300 educadores, médicos e profissionais em geral, objetivando construir uma nova visão acerca do problema da violência social e oferecer ferramentas concretas para assumir, com maios consciência, o trabalho que compete a cada um de nós na criação de um mundo menos violento e mais humano.

O seminário terá duração de 4 horas e é dirigido a mães, pais, professores, educadores, psicólogos, psicopedagogos, assistentes sociais, profissionais da saúde, profissionais das ciências humanas e todos aqueles que desejam contribuir para um mundo mais amável.

Mais informações em www.lauragutmannobrasil.blogspot.com.



segunda-feira, 2 de julho de 2012

Blogagem Coletiva - #desocupaCONAR

Sendo mãe de três crianças, não poderia deixar de participar dessa blogagem coletiva.
Carta Aberta ao Conar
Duas recentes medidas do Conar referentes aos abusos da publicidade voltada para as crianças nos deixaram preocupados e ainda mais descrentes da atuação deste órgão com relação à proteção da infância.
A primeira foi a decisão de sustar a campanha da Telessena de Páscoa por anunciar para o público infanto-juvenil um produto que só pode ser vendido para maiores de 16 anos (de acordo com regulamentação da SUSEP). A segunda foi a advertência dada pelo Conar à Ambev, com relação ao ovo de páscoa de cerveja da Skol.
Ambas atitudes do Conar seriam dignas de aplausos – se tivessem sido tomadas quando as campanhas publicitárias estavam no ar, na Páscoa, em março. Mas o Conar só agiu em junho, quando as campanhas já não eram mais veiculadas.
Com isso, não houve nenhum impedimento para que a mensagem indevida da Telessena atingisse impunemente milhões de brasileirinhos e que a Ambev promovesse bebida alcoólica através de um produto de forte apelo às crianças. A advertência à Skol é ainda mais ineficaz, pois não impede que no próximo ano, produto semelhante seja oferecido.
O Movimento Infância Livre de Consumismo vê nessas decisões a comprovação de que o atual sistema de autorregulamentação praticado pelo mercado publicitário brasileiro é lento, omisso e ineficiente. Fato ainda mais grave quando se trata da defesa do público infantil.
Por isso, exigimos que a publicidade infantil sofra um controle externo como todas as atividades empresariais. Reiteramos nossa postura de que, sem leis e punição, jamais teremos uma publicidade infantil mais ética.
Nós, mães e pais, exigimos respeito à infância dos nossos filhos e solicitamos que estas duas atuações não constem dos autos do Conar como casos de sucesso. Contabilizar pareceres dados depois que as campanhas saíram do ar, como exemplo da firme atuação do Conar, é propaganda enganosa. E isso contraria o tal Código de Autorregulamentação que os publicitários insistem em tentar nos convencer que funciona.
(Este texto faz parte de uma blogagem coletiva proposta pelo Movimento Infância Livre de Consumismo juntamente com blogs parceiros. Este movimento é composto por pais e mães que desejam uma regulamentação séria e eficiente da publicidade voltada para crianças. Para saber mais acesse: http://www.infancialivredeconsumismo.com.br)

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Era uma vez uma mulher que queria parir

Era uma vez uma mulher que desejava parir, ela achava que desejar, só, bastava. Não sabia, coitada, que onde ela morava, quase todas as mulheres eram operadas. As que não eram operadas, eram mal-tratadas, as que não eram mal tratadas... bem essas eram grandes sortudas! Logo descobriu que se quisesse parir com dignidade teria que lutar e lutar muito. Então, essa mulher começou a procurar e procurar e ninguém sabia explicar como ela poderia parir. Quase todo mundo tinha esquecido, tinham inventado que único lugar de ganhar bebê era no hospital e que o jeito mais certo era cortando sua barriga. E essa mulher não se conformava e continuava a procurar. Até que um dia, num recanto da internet, essa mulher encontrou um pequeno grupo de pessoas que diziam que as mulheres eram capazes de parir, e mais, eram capazes de parirem naturalmente. Os olhos da mulher brilharam, ela sentia que estava no caminho certo. Contou para o marido e o marido gostou, até apoiou! Os dois foram conhecer uma doula de olhos azuis que disse que iria ajudá-los. E assim foi. Mas o destino traiçoeiro quis testar a perseverança da mulher e o bebê não virou. A mulher teimou e de tudo tentou. Ficou de ponta cabeça, colocou luz pro bebê seguir, virou cambalhota, queimou os dedinhos, mas nada mudou, o bebê sentou! A mulher teimou mais ainda e, com o marido e a doula, um obstetra parteiro procurou. O obstetra era professor e estava ensinando seus alunos como virava um bebê.  Naquele mesmo dia a doula estava ensinando outras mulheres a doular. Muita gente foi assistir a mulher que queria parir e precisava fazer o bebê virar. O obstetra-parteiro-professor tentou e tentou, mas o bebê não virou. Foi aí que a mulher chorou. Estava quase desistindo quando o obstetra cochichou: "é possível..." Aí, a mulher se animou, ela não ia desistir não e tomou uma decisão: com uma barriga imensa, sem dinheiro e cheia de esperança foi procurar o obstetra-professor. Na hora ele se assustou, mas tanto a mulher falou, tanto a mulher pediu, que ele concordou. A mulher, o marido e a doula saíram felizes da vida,   o bebê iria nascer como tinha de ser! Convidaram então uma parteira sábia, para ajudar o parto a acontecer. E foi assim, com o apoio de pessoas iluminadas que a mulher pariu. Veio um bebê de bunda, e veio uma explosão, e veio luz, e veio força, e veio amor. A mulher pariu e se sentiu! E quis parir mais. Vieram mais dois bebês, desta vez nascidos em casa. A mulher não quis ir para hospital mais não! A mulher adorou,  podia estar acompanhada das pessoas que amava, tinha os filhos por perto, os nascimentos eram grandes festas! O tempo passou, a mulher começou a ajudar outras mulheres a acreditarem em si e terem seus filhos naturalmente. Tudo ia bem, com uns tropeços aqui e outros alí. Até que um dia, a mulher assistiu uma matéria para a tv com o obstetra-professor e a doula de olhos azuis que agora era uma parteira das boas. A mulher ficou cheia de orgulho, até esqueceu que, no país onde morava, as mulheres parirem não deixavam. E veio um tal de um conselho querendo punir o obstetra-professor que tantas mulheres ajudava. Com as cesárias desnecessárias esse tal conselho não se preocupava, afinal, era pelo dinheiro que o mundo girava, mas parto em casa eles não deixavam não. A mulher então se revoltou, afinal, queriam proibir aquilo para que tanto lutou? Mas, desta vez, a mulher não era mais exceção e ,com muitas outras mulheres, encontraram uma solução: iriam marchar juntas e gritar que não queriam esse conselho não, afinal, parir é coisa do coração. Amanhã e domingo, todas as mulheres, homens, crianças e bebês irão se unir na Marcha Pelo Parto em Casa, porque toda mulher tem o direito de parir onde quiser!



quarta-feira, 23 de maio de 2012

Seja amoroso e tenha filhos amorosos - Postagem Coletiva


Quando engravidei pela primeira vez, há 10 anos, eu só pensava em preparar-me para ser uma boa mãe e, para isso, busquei o máximo de informações que podia. Comprei inúmeros livros que ensinavam mães de primeira viagem a serem boas mães e a premissa de quase todos eles era: não mimar os bebês! As mães deveriam ter total controle sobre os bebês senão correriam o risco de “estragá-los”. Para isso deveria haver rotinas rígidas, horário para as mamadas, o bebê deveria dormir em seu berço, nada de pegar no colo no primeiro choro. Tudo isso fazia sentido para mim, antes de ter meu filho nos braços. 

Só que, assim que eu peguei aquele pequeno ser pela primeira vez, tudo mudou. Eu até tentei seguir algumas regras como amamentar a cada 3 horas e isso fez com que meu filho perdesse peso ao ponto da pediatra indicar leite artificial. Eu levantava a noite toda na tentativa de fazer meu pequeno dormir em seu berço. Sentia-me cansada e frustrada. Mas, felizmente, eu não estava só. Eu fazia parte de uma lista de discussão na qual encontrei mulheres que já tinham passado ou estavam passando pela mesma experiência que eu e estávamos nos encorajando. Pela primeira vez ouvi a palavra “livre demanda”, vi que não era apenas eu que desejava dormir com meu bebê próximo a mim. Finalmente, percebi que eu estava lendo os livros errados, pois nada daquilo estava me ajudando. Então, passei a seguir os meus instintos. Somos mamíferas! – repetíamos. 

Sim, eu era uma mamífera e decidi que faria aquilo que meu coração mandava. Decidi que meu filho seria aninhado e amamentado sempre que quisesse. Decidi que ele ficaria perto para sentir-se seguro. E, a partir daí, senti-me livre. Pude vivenciar plenamente a maternidade, tudo ficou tão mais fácil, tão mais claro. Com meu filho na cama pude amamentá-lo durante a noite enquanto eu descansava, ele não acordava e eu também não. Comprei um sling e estava livre para as atividades diárias e meu filho participava da minha vida. Comprei outros livros, pesquisei, pesquisei e descobri que o que eu fazia chamava “Attachment parenting” (Criação pelo apego) e que tinha muito embasamento científico.

Meu primeiro filho foi amamentado até os 2 anos, parou sozinho, quando eu estava grávida do meu segundo filho. Com este tudo foi mais fácil, eu já conhecia o caminho. Quando minha 3ª filha nasceu, em muitas ocasiões, fazia uma fila para mamar. Mamava a bebê, mamavam os mais velhos. Depois de 6 anos de peitos para fora, de doação, de esforço (sim, porque tem seus dias de cansaço, tem os dias que estamos exaustas e sem paciência, tem os dias que não estamos a fim de ficar nuas na frente de todos – porque várias vezes meus filhos quiseram peito em situações que eu não estava confortável) eu decidi que estava bom. Minha filha já estava com 2 anos e meio e eu estava cansada. E decidi que a amamentação terminaria ali. Claro que ela protestou, mas eu estava com a sensação de dever cumprido, dali em diante sabia que poderíamos prosseguir sem peito.

Meus filhos são crianças saudáveis, independentes, confiantes. Cada qual já dorme em seu próprio quarto e sabem que podem correr para nossa cama sempre que precisarem de conforto. Isso acontece cada vez menos, e dá uma saudade... Saudade dos tempos em que só queriam a mamãe, que podia carregá-los no colo e acariciar seus cabelos enquanto mamavam. Passa rápido, tão rápido. Valeu a pena!


*Pedro Gabriel está com 9 anos, João Felipe, 7 e Ana Cecília, 4.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Coisas de menino, coisas de menina

Essa semana eu fui Mamífera Convidada lá no blog das Mamíferas. Fiquei muito contente com o convite, já fazia tempo que estava devendo um texto para elas. Espero que gostem:


Entro em casa e, na sala, vejo a seguinte cena: Naná vestida de princesa, com os pés descalços e encardidos, jogando futebol de botão com Pedrinho, o irmão mais velho.
Essas situações são comuns aqui em casa. Outro dia, João Felipe brincava de casinha com as meninas, ajudava a carregar o bebê e cuidar da casa. Vantagens de quem tem meninos e meninas em casa: eles têm oportunidade de brincar com todos os tipos de brinquedos. Fico feliz em ver que, pelo menos nas brincadeiras, para meus filhos, a questão de gênero não faz diferença, pelo menos para eles homens e mulheres são iguais e fazem o que lhes der na veneta.
Eu nunca disse para eles que tal atitude/roupa/brinquedo eram para menino ou menina, eles podem brincar com tudo, vestir o que quiserem. Lembro que quando o João era pequeno, me pediu uma pia e panelinhas pois ele queria brincar de cozinheiro, eu comprei uma roxa e amarela. Fico muito brava ao ver que, hoje em dia, não fazem mais geladeira ou fogão brancos, tudo, absolutamente tudo, é rosa, ou seja, além de reforçar que o serviço doméstico só pertencem às mulheres, ainda por cima temos que aceitar o rosa como a única cor possível.
Por outro lado, não há como fugir de alguns estereótipos: Ana Cecília adora rosa, fru-frus, coroas, vestidos, enquanto os meninos curtem brincar de luta, futebol, além de algumas “ogrices” típicas de meninos como arrotar e soltar pum. Isso me faz refletir onde está sendo repetido um padrão social e onde esses gostos e atitudes pertencem às naturezas feminina e masculina. Ainda não cheguei a uma conclusão definitiva, mas, algo me diz que há sim maior influência social.
Para mim, o problema maior quando o assunto é gênero, são as informações vindas de fora, porque as crianças sempre trazem os preconceitos proferidos pelos próprios coleguinhas. Ultimamente, a grande dúvida deles é sobre o que é ser gay, visto que alguns coleguinhas já tacharam que meninos não podem ter algumas atitudes porque são considerados gays. Eu, muito calmamente, explico para eles que o amor pode acontecer com pessoas de todos os sexos: homens que amam mulheres, homens que amam homens e mulheres que amam mulheres. Explico também que isso é algo que só acontece com pessoas mais velhas, então eles não precisam se preocupar com isso. Ponto final.
De minha parte, faço o possível para não reforçar esses estereótipos. Desejo sinceramente que meus filhos sintam-se, acima de tudo, indivíduos livres e sem preconceitos.


*PS: Esse texto tb foi reproduzido no site Infância Livre de Consumismo