Desde o ano passado, quando o MEC resolveu tirar o livro "Caçadas de Pedrinho" das recomendações para o ensino fundamental que iniciou-se a maior polêmica. Muitos chiaram, chamaram de censura, escritores infantis de peso como a Ruth Rocha e o Ziraldo fizeram manifesto a favor de Monteiro Lobato, enfim, uma barulheira só.
Eu cresci lendo Lobato, tinha toda a coleção, adorava as aventuras do pessoal do Sítio. Mas, sinceramente, sempre fiquei incomodada com a maneira que a Emília tratava a tia Nastácia. Felizmente eu cresci num ambiente em que não era alimentado o preconceito, de nenhuma espécie. Isso não significa que eu nunca tenha tido uma atitude preconceituosa. E me sinto muito triste por isso. Mas esse reconhecimento faz com que eu encare meus preconceitos, reconheça-os e lute contra eles.
Existe até uma campanha excelente que diz "Onde você guarda seu racismo?"
Bom, mas onde eu quero chegar com o caso do Lobato? Apesar de Monteiro Lobato ser uma referência na literatura infantil, ele não pode ser "endeusado". A obra dele está repleta de afirmações racistas, sim. Tanto que, quando eu leio os livros para meus filhos, eu vou pulando ou modificando trechos inteiros. Sim, eu ainda tenho a coleção completa, leio para as crianças e, enquanto eu estou no comando, eu faço os devidos "cortes". O mesmo acontece há muito tempo com a série exibida pela Globo, eles retiraram todas as referências racistas, além de dar uma atualizada na obra, afinal, em tempos de preservação da natureza, também é inconcebível sair matando onças e animais por aí.
Agora, eu acredito que isso não é possível de ser feito em uma sala de aula. Como uma professora vai explicar para uma classe inteira que quando a Emília diz "negra beiçuda", é porque era a maneira como se tratavam os negros, na época, e que não era para chamar o coleguinha negro da mesma forma? Sorry, impossível.
Então acho que a atitude do MEC está certíssima e não estão censurando ninguém, qualquer um pode ir à uma livraria e comprar um livro de Monteiro Lobato.
De mais a mais, há tanta coisa mais interessante para se ler, tanto livro legal para ser utilizado pelas escolas, que é um saudosismo que beira à pieguisse.
Abaixo, dois links para leitura impressindíveis, retirados do blog do Idelber:
Carta aberta a Ziraldo, por Ana Maria Gonçalves
Não é sobre você que devemos falar
A Lola também falou sobre este tema aqui e o Alex Castro, sobre este mesmo assunto, escreveu em seu blog um trecho que eu concordo totalmente:
" Os livros do Sítio tem um fortíssimo conteúdo racista que não deve ser exposto a crianças pequenas. Um racismo tão forte, tão odioso e tão insultante que não tem como ser contextualizado pelo professor. Nenhum brasileiro de oito anos de idade deve ser obrigado a ler um livro que insulta a ele, a seus pais e parentes, e a pessoas como ele. Um livro que é imposto pela escola como leitura obrigatória em sala de aula tem uma aura de respeitabilidade e aprovação institucional que não teria se fosse presenteado por um parente, encontrado na estante de casa, comprado na livraria. Ninguém até agora (que eu saiba) defendeu que Monteiro Lobato seja censurado, recolhido, queimado, mas é odioso a escola impor esse tipo de constrangimento a uma criança."
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segunda-feira, 7 de março de 2011
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Lemos e gostamos
Toda sexta-feira o Pedrinho traz da escola um livro diferente e fica com ele durante a semana. Não preciso dizer que livro faz mais sucesso que doce aqui em casa. Eles ficam numa ansiedade para chegar logo a noite para a hora da contação de histórias e, durante uma semana, preciso ler o "livro da vez". O Pedro já trouxe uns três ou quatro livros, mas dois fizeram sucesso absoluto.
O primeiro é o da Ana Maria Machado, De fora da arca, em que a autora mistura a história bíblica com os seres imaginários (principalmente do bestiário medieval). Começa o livro a partir da tradução de uma música tradicional inglesa "Who built the Ark? Noah, Noah", que ficou assim:
Quem fez a arca?
Noé, Noé.
Quem fez a arca?
Foi Noé quem fez a arca.
Lá vem os bichos, dois a dois
Uns comem carne, outros preferem arroz.
Como a música vem cifrada, foi muito legal cantar com as crianças. Ela ainda tem a idéia genial de falar sobre os animais que não entraram na arca, mas que sobreviveram na imaginação das pessoas. E aí aparecem uma série de gravuras lindíssimas e descrições dos seres imaginários. As crianças adoraram o dragão, o grifo, o pássaro Roca, o centauro e muitos outros. Muito lindo.
A autora consegue misturar arca, seres do bestiário medieval e ecologia ao mesmo tempo, já que ela também fala dos animais que já foram extintos e os que estão com risco de extinção. Um trabalho realmente primoroso.
O outro livro que fez um baita sucesso e que já tive que encomendar foi o "Uma letra puxa outra", do José Paulo Paes. As poesias do autor já são bem conhecidas, principalmente as infantis. Neste livro, cada palavra é apresentada por meio de um poeminha, com rimas inusitadas e muito divertidas. Excelente para essa fase de alfabetização: o Pedro conseguiu ler muitos trechos sozinho e o João adorou reconhecer as letras. Já a Naná se divertiu ouvindo as rimas. O trecho que mais gostei foi esse:

Por P principia "palavra",
Por P principia "poesia",
Pois palavra sem poesia,
Não parece nem palavra
O primeiro é o da Ana Maria Machado, De fora da arca, em que a autora mistura a história bíblica com os seres imaginários (principalmente do bestiário medieval). Começa o livro a partir da tradução de uma música tradicional inglesa "Who built the Ark? Noah, Noah", que ficou assim:Quem fez a arca?
Noé, Noé.
Quem fez a arca?
Foi Noé quem fez a arca.
Lá vem os bichos, dois a dois
Uns comem carne, outros preferem arroz.
Como a música vem cifrada, foi muito legal cantar com as crianças. Ela ainda tem a idéia genial de falar sobre os animais que não entraram na arca, mas que sobreviveram na imaginação das pessoas. E aí aparecem uma série de gravuras lindíssimas e descrições dos seres imaginários. As crianças adoraram o dragão, o grifo, o pássaro Roca, o centauro e muitos outros. Muito lindo.
A autora consegue misturar arca, seres do bestiário medieval e ecologia ao mesmo tempo, já que ela também fala dos animais que já foram extintos e os que estão com risco de extinção. Um trabalho realmente primoroso.
O outro livro que fez um baita sucesso e que já tive que encomendar foi o "Uma letra puxa outra", do José Paulo Paes. As poesias do autor já são bem conhecidas, principalmente as infantis. Neste livro, cada palavra é apresentada por meio de um poeminha, com rimas inusitadas e muito divertidas. Excelente para essa fase de alfabetização: o Pedro conseguiu ler muitos trechos sozinho e o João adorou reconhecer as letras. Já a Naná se divertiu ouvindo as rimas. O trecho que mais gostei foi esse:
Por P principia "palavra",
Por P principia "poesia",
Pois palavra sem poesia,
Não parece nem palavra
domingo, 15 de novembro de 2009
Oba, teatro!
Hoje fomos assistir à peça infantil " As aventuras de Bambolina", da excelente companhia teatral Pia Fraus. Com bonecos e sem palavras, a peça conta a estória da boneca Bambolina que, após ser abandonada por sua dona, passa por várias desventuras. É um espetáculo doce, muito poético. As crianças ficaram encantadas, pediram que comprássemos o livro, do Michele Iacocca e ainda aproveitaram para tirar uma foto com a atriz da peça, a Camila Ivo.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Lemos e gostamos
A escola dos meninos tem um projeto muito bacana: toda quinta-feira empresta um livro para cada aluno e os mesmos ficam com ele por uma semana. Ou seja, a cada semana, chegam aqui em casa dois livros diferentes. Isso tem incrementado bem as leituras à noite, já que, além dos livros que eles já têm, ainda lemos os livros da escola. Esta semana o João trouxe um livro muito legal: Uma noite muito barulhenta. Já virou "o mais favorito", ou seja, lido à exaustão tanto à noite quanto durante o dia. A Naná também amou o livro, fica folheando ele e repetindo: "ratão, ratão...medo!" O livro é tão legal que já encomendei, "para ser deles para sempre" (como disse o Ipe).
O Ratinho não conseguia dormir por causa de todos os barulhos estranhos que se ouviam de noite. O que seria aquele som a soprar? Quem estaria batendo na janela? E haveria mesmo um fantasma a chamar "tuuu, tuuu"? O Ratinho estava muito assustado. "Posso ir para a sua cama?" perguntava ele ao Ratão. Mas este sabia que seria melhor para o Ratinho aprender a dormir na sua própria cama e enfrentar os seus medos.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Lemos e gostamos
As crianças adoram histórias para dormir. Ultimamente, o livro "mais favorito de todos" é O Gatola da Cartola. Ou seja, eles querem que leiamos livros diferentes toda noite, mas o gatola sempre tem que aparecer. É ouvindo as rimas do gatola da cartola que eles adormecem.O livro é todo rimado e conta a história de duas crianças que estavam aborrecidas por ficar em casa sem nada para fazer num dia chuvoso, até que aparece o gatola da cartola e apronta a maior confusão.
Não há como não rir com a parte do gato se equilibrando na bola com mil coisas.
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Os livros que amamos
Não consigo viver sem os livros e, ao que tudo indica, já estou formando meus pequenos leitores hehehehe. Por enquanto, nossos livros favoritos (aqueles que já foram lidos zilhares de vezes) são:A arca de Noé - Vinícius de Morais
Ou isto, ou aquilo - Cecília Meireles
Bom dia todas as cores - Ruth Rocha
O menino maluquinho - Ziraldo
Marcelo, marmelo, martelo - Ruth Rocha
A primavera da lagarta - Ruth Rocha
O livro das virtudes para crianças
Contos dos irmãos Grimm
O pequeno príncipe - Saint-Exupéry
Como se tornar um pirata em 10 lições
Acabei de encomendar O livro das perguntas, do Pablo Neruda e Quem tem medo de monstro, da Ruth Rocha. Não vemos a hora de chegar mais novidades para nossas leituras noturnas rsrsrs
Update: Os livros chegaram e já fizeram sucesso, principalmente o dos montros.
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