sexta-feira, 15 de junho de 2012

Era uma vez uma mulher que queria parir

Era uma vez uma mulher que desejava parir, ela achava que desejar, só, bastava. Não sabia, coitada, que onde ela morava, quase todas as mulheres eram operadas. As que não eram operadas, eram mal-tratadas, as que não eram mal tratadas... bem essas eram grandes sortudas! Logo descobriu que se quisesse parir com dignidade teria que lutar e lutar muito. Então, essa mulher começou a procurar e procurar e ninguém sabia explicar como ela poderia parir. Quase todo mundo tinha esquecido, tinham inventado que único lugar de ganhar bebê era no hospital e que o jeito mais certo era cortando sua barriga. E essa mulher não se conformava e continuava a procurar. Até que um dia, num recanto da internet, essa mulher encontrou um pequeno grupo de pessoas que diziam que as mulheres eram capazes de parir, e mais, eram capazes de parirem naturalmente. Os olhos da mulher brilharam, ela sentia que estava no caminho certo. Contou para o marido e o marido gostou, até apoiou! Os dois foram conhecer uma doula de olhos azuis que disse que iria ajudá-los. E assim foi. Mas o destino traiçoeiro quis testar a perseverança da mulher e o bebê não virou. A mulher teimou e de tudo tentou. Ficou de ponta cabeça, colocou luz pro bebê seguir, virou cambalhota, queimou os dedinhos, mas nada mudou, o bebê sentou! A mulher teimou mais ainda e, com o marido e a doula, um obstetra parteiro procurou. O obstetra era professor e estava ensinando seus alunos como virava um bebê.  Naquele mesmo dia a doula estava ensinando outras mulheres a doular. Muita gente foi assistir a mulher que queria parir e precisava fazer o bebê virar. O obstetra-parteiro-professor tentou e tentou, mas o bebê não virou. Foi aí que a mulher chorou. Estava quase desistindo quando o obstetra cochichou: "é possível..." Aí, a mulher se animou, ela não ia desistir não e tomou uma decisão: com uma barriga imensa, sem dinheiro e cheia de esperança foi procurar o obstetra-professor. Na hora ele se assustou, mas tanto a mulher falou, tanto a mulher pediu, que ele concordou. A mulher, o marido e a doula saíram felizes da vida,   o bebê iria nascer como tinha de ser! Convidaram então uma parteira sábia, para ajudar o parto a acontecer. E foi assim, com o apoio de pessoas iluminadas que a mulher pariu. Veio um bebê de bunda, e veio uma explosão, e veio luz, e veio força, e veio amor. A mulher pariu e se sentiu! E quis parir mais. Vieram mais dois bebês, desta vez nascidos em casa. A mulher não quis ir para hospital mais não! A mulher adorou,  podia estar acompanhada das pessoas que amava, tinha os filhos por perto, os nascimentos eram grandes festas! O tempo passou, a mulher começou a ajudar outras mulheres a acreditarem em si e terem seus filhos naturalmente. Tudo ia bem, com uns tropeços aqui e outros alí. Até que um dia, a mulher assistiu uma matéria para a tv com o obstetra-professor e a doula de olhos azuis que agora era uma parteira das boas. A mulher ficou cheia de orgulho, até esqueceu que, no país onde morava, as mulheres parirem não deixavam. E veio um tal de um conselho querendo punir o obstetra-professor que tantas mulheres ajudava. Com as cesárias desnecessárias esse tal conselho não se preocupava, afinal, era pelo dinheiro que o mundo girava, mas parto em casa eles não deixavam não. A mulher então se revoltou, afinal, queriam proibir aquilo para que tanto lutou? Mas, desta vez, a mulher não era mais exceção e ,com muitas outras mulheres, encontraram uma solução: iriam marchar juntas e gritar que não queriam esse conselho não, afinal, parir é coisa do coração. Amanhã e domingo, todas as mulheres, homens, crianças e bebês irão se unir na Marcha Pelo Parto em Casa, porque toda mulher tem o direito de parir onde quiser!