
Ainda hoje quando fecho os olhos tenho a sensação que estou no momento do nascimento de Pedro Gabriel, essa emoção guardarei para o resto da minha vida, não só pelo fato de ser meu primeiro filho, ou pelas dificuldades que enfrentamos, mas, principalmente, porque quando nos tornamos "pai", colocamos em nossas mãos toda responsabilidade da vida de um outro ser humano, uma pequena pessoa que é parte de você e da mulher que você ama. Quando começamos um relacionamento sonhamos em casar, ter filhos e aí o tempo passa, muitas coisas acontecem, muito mais boas do que ruins, então chega o dia em que você fica sabendo que vai ser pai, para mim foi a principal realização depois do meu casamento, que me deixou imensamente feliz e com uma enorme satisfação. Quando abri o exame e li "POSITIVO", uma vida inteira passou pela minha frente, foram apenas minutos até eu chegar ao carro onde estavam minha irmã Adriana e a Debora, mas, nestes poucos e intensos minutos, pensei em muita coisa, primeiro na minha esposa, como seria o nosso primeiro filho, como ela iria ficar feliz e como seria sua vida daqui pra frente, a transformação do seu corpo, a barriga crescendo, depois pensei na minha família, minha mãe, como seria um outro neto, minha irmã e o meu sobrinho, como seria a reação deles, de felicidade é claro, mas como seria.... Lembrei no meu avô de 94 anos, como queria ele participasse do crescimento do bebê, e, por incrível que possa parecer, pensei muito no meu pai, que mal pude estar junto ao longo que quase 30 anos, pensei na frustração que tive durante anos de nunca falar a palavra "meu pai", e agora era a minha vez de dizer " Meu filho". Durante aqueles poucos minutos, foi em tudo isso que pensei, e também as dificuldades financeiras pelas quais estávamos passando. Mas tudo isso seria muito pequeno perto da emoção e riqueza de se ter um filho. Nesse momento eu já torcia para que fosse um menino, mas sou muito tranqüilo com isso, poderia ser uma menina que ficaria com imensa alegria. Ao longo da gravidez, fui acompanhando a Debora em todas as consultas, e tudo que fosse relacionado com a nossa gravidez, me sentia "grávido" junto com ela, quis ser participativo e opinativo na gravidez. Durante todo esse período, fui carinhoso, atencioso, fiz massagem, passei creme na barriga dela, saí de madrugada para comprar tomate, sorvete de Pistache, quindim... A participação da nossa família foi muito importante, apoiaram de todas as formas, exagerados ou não, a ajuda deles foi essencial. Com a graça de Deus, tivemos a oportunidade de conhecer pessoas totalmente "do bem", pessoas que nos fizeram acreditar que vale a pena correr atrás dos sonhos. Primeiro foi a Ana Cris, me apaixonei pelo seu trabalho e pelo seu talento desde o primeiro momento, seu curso de preparação para o parto foi fundamental na nossa decisão em ter um parto natural. Depois veio o Dr. Jorge que fez todo o sonho acontecer, uma pessoa que de tão sincera e honesta como poucas, um verdadeiro amigo, a Dra Andréa, que tive pouco contato, mas vi em seu rosto toda a expressão de felicidade por ter participado de um "evento" tão importante para todos, e, por último, a querida Marília, que me lembrava tanto a minha querida avó, seu jeito calmo, sereno, fico sem palavras para descrever a força que ela tem. Quando meu filho veio ao mundo, tudo o que fazia era agradecer a Deus por esse momento de felicidade, uma garra e uma vontade de vencer foi me consumindo. A sensação do nascimento de um filho renova os pais, hoje me sinto realizado. A cada dia admiro e amo mais minha esposa, minha família, o Pedro é realmente muito importante na minha vida, tive uma oportunidade única. Dizem que no início, quando a mãe amamenta seu filho, trocam olhares que só uma mãe e filho fazem, um momento de conhecerem um ao outro, de aproximação, criam laços nunca mais desfeitos. Eu também tive essa experiência pois a Debora teve que voltar a trabalhar antecipadamente e eu é que dou a mamadeira (leite do peito) nos dias em que ela sai, é linda a forma como o Pedrinho me olha e faz carinho com suas pequenas mãos. "Sou um homem muito feliz."
Marcos Paulo Diniz(Junho/2003)
Marcos Paulo Diniz(Junho/2003)

